Empreendedorismo e inovação referente à comunidade surda
Data da publicação: 25 de julho de 2025 Categoria: Inovação
A inserção significativa da comunidade surda no mercado de trabalho tem contribuído não apenas para a construção de ambientes inclusivos e colaborativos, como também para o estímulo à inovação. Tal movimento evidencia a adoção, por parte das empresas, de posturas alinhadas à legislação vigente relativa aos direitos da comunidade surda, além de demonstrar o fortalecimento de práticas laborais pautadas na cooperação e no acolhimento.
A inovação, no contexto da comunidade surda, vai muito além do desenvolvimento de novas tecnologias; trata-se, na verdade, de uma transformação social que promove não só a inclusão como também a acessibilidade e a visibilidade dessa comunidade. Inovar significa, por exemplo, criar soluções de comunicação que permitam a plena participação dos surdos em diversas esferas da sociedade: a educação, o mercado de trabalho e a cultura.
É de suma importância, portanto, entender que a comunidade surda não se restringe a um grupo de pessoas com deficiência auditiva, mas sim, pelo contrário, a um coletivo com uma língua própria (a Língua Brasileira de Sinais – Libras) e uma rica cultura que merece ser respeitada e valorizada. Ao contrário da “pessoa surda” – um indivíduo que pode ter a perda auditiva, mas que nem sempre se identifica com as questões culturais da comunidade –, a comunidade surda se caracteriza por um senso de pertencimento e identidade única, que se fortalece por meio de suas próprias práticas comunicativas e sociais. Assim, a inovação voltada para esse grupo deve ser pensada de forma a atender às suas necessidades específicas e a amplificar as suas causas na sociedade.
Consoante a Lei nº 13.146/2015, conhecida como Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), que visa assegurar e promover o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais das pessoas com deficiência, as empresas, em geral, assim como os órgãos públicos, passaram a adotar uma postura de inclusão.
O empreendedorismo lato sensu, para a comunidade surda, tem se mostrado não apenas uma forma de geração de renda, mas uma afirmação de autonomia. A surdez, que frequentemente foi vista como um obstáculo, agora surge como ponto de partida para novas propostas de inovação. É evidente o aumento de negócios liderados por pessoas surdas.
Um exemplo disso é o Il Sordo (“o surdo”, em italiano), localizado na cidade de Aracaju, capital de Sergipe, que se consolidou como um negócio lucrativo, com três franquias atualmente.
Desse modo, o empreendedorismo e a inovação desempenham um papel fundamental na promoção da inclusão e do protagonismo da comunidade surda, contribuindo, assim, para um fortalecimento de sua independência. Torna-se imprescindível que tanto iniciativas públicas como privadas unam-se a fim de promover projetos que contemplem as necessidades dessa comunidade, assegurando não apenas o respeito às diferenças, como também fomentando ambientes que sejam, de fato, inclusivos.
Fonte: CENOPS UFC
